A
Grande Depressão, também conhecida como
Crise de 1929, foi uma grande
depressão econômica que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a
Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Este período de depressão econômica causou altas taxas de
desemprego, quedas drásticas do
produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, preços de
ações, e em praticamente todo o medidor de atividade econômica, em diversos países no mundo.
[1]
O dia 24 de outubro de 1929 é considerado popularmente o início da Grande Depressão, mas a produção industrial americana já havia começado a cair a partir de julho do mesmo ano, causando um período de leve recessão econômica que se estendeu até 24 de outubro, quando valores de ações na
bolsa de valores de
Nova Iorque, a
New York Stock Exchange, caíram drasticamente, e tornou-se notícia em todo o mundo com o
crash da bolsa (conhecido como
Terça-Feira Negra). Assim, milhares de acionistas perderam, literalmente da noite para o dia, grandes somas em dinheiro. Muitos perderam tudo o que tinham. Essa quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente, causando grande
deflação e queda nas taxas de venda de produtos, que por sua vez obrigaram ao encerramento de inúmeras empresas comerciais e industriais, elevando assim drasticamente as taxas de desemprego. O colapso continuou no dia 28 e no dia 29 de outubro.
[2]
Os efeitos da Grande Depressão foram sentidos no mundo inteiro. Estes efeitos, bem como sua intensidade, variaram de país a país. Outros países, além dos Estados Unidos, que foram duramente atingidos pela Grande Depressão foram a
Alemanha,
Países Baixos,
Austrália,
França,
Itália, o
Reino Unido e, especialmente, o
Canadá. Porém, em certos países pouco industrializados naquela época, como a
Argentina e o
Brasil (que não conseguiu vender o
caféque tinha para outros países), a Grande Depressão acelerou o processo de
industrialização. Praticamente não houve nenhum abalo na
União Soviética, que tratando-se de uma
economia socialista, estava econômica e politicamente fechada para novas tecnologias sendo assim não afetada. Entre 1929 e 1932, o
PIB mundial caiu em cerca de 15%. Em comparação, o PIB mundial caiu em menos de 1% entre 2008 e 2009 durante a
Grande Recessão.
[3]
Os efeitos negativos da Grande Depressão atingiram seu ápice nos Estados Unidos em 1933. Neste ano, o Presidente americano
Franklin Delano Roosevelt aprovou uma série de medidas conhecidas como
New Deal.
[4] Essas políticas econômicas, adotadas quase simultaneamente por Roosevelt nos Estados Unidos e por
Hjalmar Schacht[5] na
Alemanha foram, três anos mais tarde, racionalizadas por
John Maynard Keynes em sua obra clássica.
[6]
O
New Deal, juntamente com programas de ajuda social realizados por todos os estados americanos, ajudou a minimizar os efeitos da Depressão a partir de 1933. A maioria dos países atingidos pela Grande Depressão passaram a recuperar-se economicamente a partir de então. Em alguns países, a Grande Depressão foi um dos fatores primários que ajudaram a ascensão de regimes ditatoriais, como os
nazistas comandados por
Adolf Hitler na Alemanha. O início da
Segunda Guerra Mundial terminou com qualquer efeito remanescente da Grande Depressão nos principais países atingidos, muito embora vários economistas
neoclássicos discordem disso.
[7][8][9][10]
PIB dos Estados Unidos no período 1910-1960. A tarja rosa destaca os anos da Grande Depressão (1929-1939).
Com o fim da
Primeira Guerra Mundial, os países europeus encontravam-se devastados, com a
economia enfraquecida e com forte
retração de
consumo, que abalou a economia mundial. Os
Estados Unidos por sua vez, lucraram com a
exportação de alimentos e produtos industrializados aos
países aliados no
período entreguerras. Como resultado disso, entre
1918 e
1928 a
produçãonorte-americana cresceu de forma estupenda. A prosperidade econômica gerou o chamado "
American way of life" (modo de vida americano). Havia emprego, os
preços caíam, a
agriculturaproduzia muito e o
consumo era incentivado pela expansão do
crédito e pelo parcelamento do pagamento de mercadorias. Porém, a economia europeia posteriormente se restabeleceu e passou a importar cada vez menos dos Estados Unidos. Com a retração do consumo na
Europa, as indústrias norte-americanas não tinham mais para quem vender. Havia mais
mercadorias que consumidores, ou seja, a oferta era maior que a demanda; consequentemente os preços caíram, a produção diminuiu e logo o
desemprego aumentou. A queda dos
lucros, a retração geral da produção industrial e a paralisação do
comércio resultou na queda das
ações da
bolsa de valores e mais tarde na quebra da bolsa. Portanto, a crise de
1929 foi uma crise de superprodução.
[11]
Desemprego nos Estados Unidos no período 1910-1960. A tarja rosa destaca os anos da Grande Depressão (1929-1939).
Durante décadas, essa foi a teoria mais aceita para a causa da Grande Depressão, porém, em contrapartida,
economistas,
historiadores e
cientistas políticos têm criado diversas outras teorias para a causa, ou causas, da Grande Depressão, com surpreendente pouco consenso. A Grande Depressão permanece como um dos eventos mais estudados da
história da economia mundial. Teorias primárias incluem a quebra da bolsa de valores de 1929, a decisão de
Winston Churchillem fazer com que o
Reino Unido passasse a usar novamente o
padrão-ouro em
1925, que causou maciça deflação ao longo do
Império Britânico, o colapso do
comércio internacional, a aprovação do
Ato da Tarifa Smoot-Hawley, que aumentou os impostos de cerca de 20 mil produtos no país,
[12] a política da
Reserva Federal dos Estados Unidos da América, e outras influências.
Segundo teorias baseadas na economia
capitalista concentram-se no relacionamento entre produção, consumo e crédito, estudado pela
macroeconomia, e em incentivos e decisões pessoais, estudado pela
microeconomia. Estas teorias são feitas para ordenar a sequência dos eventos que causaram eventualmente a implosão do
sistema monetário do mundo industrializado e suas relações de comércio.
A produção industrial dos Estados Unidos (1928-1939)
Outras teorias
econômicas heterodoxas sobre a Grande Depressão foram criadas, e gradualmente estas teorias passaram a ganhar credibilidade. Estas teorias incluem a teoria da atividade de longo ciclo e que a Grande Depressão foi um período na intersecção da crista de diversos longos e concorrentes ciclos.
Mais recentemente, uma das teorias mais aceitas entre economistas é que a Grande Depressão não foi causada primariamente pela quebra das bolsas de valores de 1929, alegando que diversos sinais na economia americana, nos meses, e mesmo anos, que precederam à Grande Depressão, já indicavam que esta Depressão já estava a caminho nos
Estados Unidos e na
Europa. Atualmente, a teoria mais em voga entre os economistas é de
Peter Temin. Segundo Temin, a Grande Depressão foi causada por
política monetária catastroficamente mal planejada pela Reserva Monetária dos Estados Unidos, nos anos que precederam a Grande Depressão. A política de reduzir as reservas monetárias foi uma tentativa de reduzir uma suposta
inflação, o que de fato somente agravou o principal problema na economia americana à época, que não era a inflação e sim a
deflação.
[13]
Um outro aspecto que vem sendo apontado como uma das possíveis causas da Grande Depressão nos
anos 1930 é o da superprodução, causada pelos grandes ganhos de produtividade industrial, obtidos com os benefícios tecnológicos do
taylorismo. Tanto
Ford quanto
Keynes já vinham há tempos alertando, sem serem ouvidos, que "a aceleração dos ganhos de produtividade provocada pela revolução taylorista levaria a uma gigantesca crise de superprodução se não fosse encontrada uma contrapartida em uma revolução paralela do lado da demanda", que permitisse a redistribuição dos ganhos de produtividade causados pelo taylorismo, de forma que houvesse redistribuição dessa nova
renda gerada, para dirigi-la ao consumo. Para os que defendem esta tese a Grande Depressão dos anos 1930 foi causada por uma gigantesca crise de superprodução, naquilo que teria sido uma trágica confirmação daquelas previsões.( Lipietz,1989:30-31)
[14]
A Grande Depressão causou pobreza geral nos Estados Unidos e em diversos países do mundo. Aqui, família desempregada, vivendo em condições miseráveis, em Elm Grove,
Oklahoma, Estados Unidos.
Com a quebra da
Bolsa de Valores de Nova Iorque de 1929, bancos e investidores perderam grandes somas em dinheiro. A situação dos bancos era agravada pelo fato que muitos destes bancos haviam emprestado grandes somas de dinheiro a fazendeiros. Após o início da Grande Depressão, porém, estes fazendeiros tornaram-se incapazes de pagar suas dívidas. Isto, por sua vez, causou a queda dos lucros destas instituições financeiras. Pessoas que utilizavam-se de bancos, temendo uma possível falência destes, removeram destes os seus
fundos. Assim, várias instituições bancárias foram fechadas. O total de instituições bancárias fechadas durante a década de 1920 e de 1930 foi de 14 mil, um índice astronómico.
Em
17 de maio de
1930, o governo dos Estados Unidos aprovou uma lei, o Ato Tarifário Smoot-Hawley, que aumentava as
tarifas alfandegárias em cerca de 20 mil itens não-perecíveis estrangeiros.
[12] O Presidente americano
Herbert Hoover pedira ao
Congresso uma diminuição nos impostos, mas o Congresso, ao invés disto, votou a favor do aumento dos impostos. Um abaixo-assinado, assinado por mil
economistas, pediu ao presidente americano para rejeitar este aumento. Apesar disto, Hoover assinou o Ato em 17 de maio. O Congresso e o Presidente acreditavam que isto iria reduzir a competição de produtos estrangeiros no país. Porém, outros países reagiram através da aprovação de leis e atos semelhantes, assim causando uma queda súbita nas exportações americanas. As taxas de desemprego subiram de 9% em 1930 para 16% em
1931, e 25% em
1933. Durante a década de 1930, a taxa de desemprego nos Estados Unidos não retornaria mais às taxas de 9% de 1930, se mantendo em perto da casa dos 20%.
Com o crescente encerramento de instituições bancárias, menos fundos estavam disponíveis no mercado americano, fazendo com que a produção industrial americana continuasse a cair. Em 1929, o valor total dos produtos industrializados fabricados nos Estados Unidos foi de 104 bilhões de
dólares. Em 1933, este valor havia caído para 56 bilhões, uma queda de aproximadamente 45%. A produção de aço caiu em cerca de 61%, entre 1929 e 1933, e a produção de automóveis caiu em cerca de 70% no mesmo período.
O ano de 1933 foi o ápice da Grande Depressão nos Estados Unidos. As
taxas de desemprego eram de 25% (ou um quarto de toda a força de trabalho americana). Cerca de 30% dos trabalhadores que continuaram nos seus empregos foram obrigados a aceitar reduções em seus
salários, embora grande parte dos trabalhadores empregados tenham tido um aumento nos seus salários por hora e o nível de
desigualdade social daquela sociedade estivesse abaixo da sociedade americana do
século XXI.
[15][16]Outro problema enfrentado foi a grande
deflação - queda do preço dos produtos e
custo de vida em geral. Entre 1929 e 1933, os preços dos produtos industrializados não-perecíveis em geral nos Estados Unidos caíram em cerca de 25%. Já o preço de produtos agropecuários caiu em cerca de 50%, por causa do excedente da produção destes produtos - primariamente
trigo. A quantidade destes produtos à venda excedia largamente a
demanda, o que causou uma queda dos preços destes produtos. Os baixos preços levaram ao endividamento de muitos fazendeiros. Era comum casos de
suicídio por parte de
empresários,
acionistas e
investidoresem geral, que haviam perdido tudo o que possuíam; E também por parte de outros civis, que, com a crise, se haviam endividado e/ou não possuíam forma alguma de sustento devido ao fato de estarem desempregados.